Como dar conhecimento ao modelo
O modelo precisa saber algo que não sabe. Onde esse conhecimento deve morar?
A.Prompt (contexto no prompt)
Use o prompt quando o conhecimento é pequeno (cabe em algumas páginas), estável e igual para todos os usuários: regras de tom, formato de resposta, políticas curtas, exemplos de como responder. É a opção mais barata, mais rápida de mudar e que não exige nenhuma infraestrutura. Se uma regra muda, basta editar o texto e rodar o eval. O limite aparece quando o conteúdo cresce: cada chamada carrega tudo, o custo sobe e a qualidade cai em contextos longos.
B.RAG
Use RAG quando o conhecimento é grande, muda com frequência, varia por usuário ou cliente, ou precisa ser citado: contratos, manuais, base de tickets, políticas extensas. O RAG traz para o modelo só o trecho relevante a cada pergunta, respeita permissões de acesso e permite atualizar a base sem retreinar nada. Também permite mostrar a fonte ao usuário. É a abordagem certa para a maioria dos assistentes sobre conhecimento da empresa.
C.Fine-tuning
Use fine-tuning quando o que precisa mudar é o comportamento, o estilo ou o formato, e o prompt não consegue induzir isso de forma consistente; quando há jargão muito específico que o modelo não domina; ou quando o volume é alto e vale incorporar instruções ao modelo para encurtar o prompt. Fine-tuning não serve para “ensinar fatos”: fatos mudam, e o modelo esquece ou confunde. É a opção mais cara, mais lenta e mais difícil de reverter.
Uma forma simples de diferenciar
Uma forma simples de diferenciar: o prompt instrui; o RAG informa; o fine-tuning transforma o modelo. A ordem de tentativa é essa: prompt, depois RAG, depois fine-tuning, cada um só quando o anterior comprovadamente não basta no eval.
Armadilha comum
Usar fine-tuning para dar conhecimento factual ao modelo. É o erro mais comum: caro, lento, desatualiza rápido e não cita fonte. Quando alguém propõe fine-tuning, a primeira pergunta é “já tentamos com prompt e RAG?”.
Exemplo prático
Um assistente de atendimento precisa saber as políticas de cancelamento. Tom de voz e formato vão no prompt. As políticas em si, que mudam todo trimestre e têm 40 páginas, vão no RAG. Fine-tuning só entraria se o assistente precisasse de um estilo muito específico que o prompt não conseguisse produzir de forma estável.
