Calibração
Calibration
Métrica
IntermediárioCategoria: Evals, testes e métricasSubcategoria: Métricas de classificação
O que significa
É o grau em que a probabilidade que o modelo reporta corresponde à frequência real. Entre os casos em que o modelo disse “80% de chance de fraude”, cerca de 80% deveriam ser fraude de fato.
Um modelo mal calibrado tem uma “confiança” que não significa nada. E limiares, filas de revisão e comunicação de incerteza ao usuário dependem de essa confiança ser real.
Redes neurais e LLMs tendem a ser superconfiantes. A recalibração é relativamente barata e não exige retreinar o modelo.
Como usar na prática de produto
Em Produto, se o produto usa uma regra como “confiança abaixo de X vai para revisão humana”, a confiança precisa estar calibrada. Senão, a regra é arbitrária: pode enviar casos demais ou de menos para revisão.
Vale pedir o diagrama de confiabilidade, que mostra, para cada faixa de confiança, a taxa real de acerto. Se a linha se afasta da diagonal, o modelo está mal calibrado.
Por exemplo, a faixa de “70% a 80% de confiança” tem apenas 45% de fraudes reais: o modelo é superconfiante, e a fila de revisão está mal dimensionada.
Quando usar este termo ou outro
Use calibração sempre que a probabilidade do modelo alimenta uma decisão: limiar, fila de revisão, exibição de confiança ao usuário.
Use calibração por grupo como métrica de fairness: a confiança deve significar o mesmo para todos os grupos.
Use acurácia ou AUC para avaliar se o modelo acerta; calibração avalia se ele sabe quando acerta.
Uma forma simples de diferenciar: acurácia é acertar; calibração é saber o quanto se acerta.
Exemplos de aplicação
- Fila de revisão: confiança calibrada para que “abaixo de 70%” signifique de fato incerteza.
- Superconfiança: detectar que o modelo reporta 90% e acerta 60%.
- Exibição ao usuário: mostrar “alta confiança” só quando a taxa real de acerto é alta.
- Fairness: verificar se a calibração é a mesma entre grupos de usuários.
- Recalibração: ajustar as probabilidades sem retreinar o modelo.
Como calcular
Fórmula (ECE, Expected Calibration Error):
ECE = soma, para cada faixa de confiança, de (número de casos na faixa ÷ total) × |confiança média da faixa − frequência real de positivos na faixa|.
Passo a passo:
1. Agrupe as previsões por faixa de confiança (0-10%, 10-20%, ..., 90-100%).
2. Em cada faixa, calcule a confiança média que o modelo reportou e a proporção real de casos positivos.
3. Calcule a diferença absoluta entre as duas em cada faixa.
4. Faça a média ponderada pelo número de casos em cada faixa.
Exemplo:
Na faixa de 70% a 80%, o modelo reportou confiança média de 75%, mas apenas 45% dos casos eram positivos. A diferença de 30 pontos nessa faixa contribui para um ECE alto.
Como interpretar:
Quanto menor o ECE, melhor. Abaixo de 0,05 é considerado bom. Uma alternativa é o Brier score, que é a média do quadrado da diferença entre a probabilidade prevista e o resultado real (0 ou 1), combinando calibração e capacidade de discriminação.
Origem do termo
Estatística de previsão probabilística (Brier, 1950); diagramas de confiabilidade e ECE (Guo et al., 2017) para redes neurais.
Fonte técnica
Guo et al., On Calibration of Modern Neural Networks (2017); Google Machine Learning Glossary
