Alucinação
Hallucination / Confabulation
Comportamento do modelo
BásicoCategoria: IA responsável, ética e governançaSubcategoria: Vieses
O que significa
É a saída fluente, confiante e falsa de um modelo de linguagem: um fato inventado, uma citação inexistente, um número errado, uma função de API que não existe, uma cláusula que o contrato não tem.
Não é um bug ocasional. É consequência de o modelo gerar o texto mais provável, não o mais verdadeiro. Reduz-se com ancoragem em fontes, instruções de recusa, temperatura baixa e verificação; não se elimina.
Alguns autores preferem o termo “confabulação”, da neuropsicologia, por ser mais preciso.
Como usar na prática de produto
Em Produto, a premissa é que vai acontecer, e o desenho precisa considerar isso: fontes citadas, verificação automática de fidelidade, “não sei” como resposta aceitável, humano para o que é irreversível.
Vale medir a taxa de alucinação e tratar cada caso encontrado como caso de eval. E nunca prometer “zero alucinação” a stakeholders.
Por exemplo, o assistente cita a “cláusula 14.3 do contrato” sobre pneus; o contrato não tem cláusula 14.3. A resposta é verossímil, plausível e falsa.
Quando usar este termo ou outro
Use alucinação para o comportamento: o modelo inventa.
Use fidelidade para a métrica que detecta isso em sistemas de RAG.
Use grounding para a técnica que reduz o problema.
Uma forma simples de diferenciar: alucinação é o sintoma; fidelidade é o termômetro; grounding é o remédio.
Exemplos de aplicação
- Cláusula inexistente: resposta verossímil sobre uma parte do contrato que não existe.
- Fontes: exigir citação para toda afirmação factual.
- Recusa: aceitar “não encontrei” como resposta válida.
- Medição: taxa de alucinação por amostragem contínua.
- Expectativa: nunca prometer zero alucinação.
Origem do termo
Usado em visão computacional desde os anos 2000 e em geração de texto a partir de Maynez et al. (2020); 'confabulação' é proposto por alguns autores como termo mais preciso (emprestado da neuropsicologia).
Fonte técnica
Maynez et al. (2020); Ji et al., Survey of Hallucination in Natural Language Generation (2023)
